sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Escusa


Na ânsia da procura do além
Entregou a alma ao criador.
Um arame em volta do pescoço,
E pondo fim à enorme dor,
Resolveu ficar aquém.

Poderia ter andado para longe,
E fazer o que fez no local.
Mas não: o suicídio, afinal,
Tem que ser dado a conhecer rapidamente.

Uma árvore ao pé do rio.
Um banco para servir de suporte.
A hipocôndria daria o mote;
O filho que teria tido pouca sorte,
A discussões frequentes sobre uma criança deficiente,
Levaram o marido de uma agente
A buscar assim a paz.

Mas escusa é uma terra diferente.
Andou-se por lá à procura do minério,
Numa altura em que a guerra era a sério.
Os "folões" (filões) lá estão.

Terra esventrada, sugada;
Buracos enormes resultantes
Duma terra que foi rasgada,
Não por uns meliantes,
Mas mineiros que houve dantes.

Construções em ruínas,
Como as existentes ao pé do monumento de "As mãos".
O primeiro emparcelamento do país.
Deixá-los arruinarem de vez
Seria aquilo que nunca quis
Na nossa terra mátria.

Seria um crime de lesa pátria!

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