Era pouco mais que uma hora da tarde,
Na piscina, apenas uma e outra alma nadavam com toda a calma.
Eis que um gaio, o tal que do romance do Aquilino ajudou a criar a floresta,
Num pinheiro contíguo pousou.
Ali estava ele num galho à fresca,
Como fresca era a água em que se banhavam.
Não tão fresca, como a do rio mais truteiro;
Que ainda há dias, mais concretamente no último dia do ano,
Foi local do merendeiro.
Iogurtes recém comprados,
Com o prazo de validade pouco dilatado;
As águas frias deles clamavam por necessidade de mais calorias.
Fora-se buscar uma bóia em forma de peixe
Que no outro lado da margem ficara presa na ramagem.
Mas não se sabia que as águas não estavam em condições.
E anda a câmara a registar biscoitos de milho em seu nome,
Quando os garranos são abatidos no corno de bico às quantidades;
As águas cheias de coliformes passeiam-se pelos choupos, freixos;
Pelos exóticos chorões...
Se for ao hipermercado vou comprar lâmpadas do futuro,
Além do produto que há tempos anseio por adquirir.
As ledes brancas, azuis ou vermelhas.
É que as incandescentes que têm uma vida útil,
Se permanentemente usadas de 41 dias,
As de baixo consumo treze meses,
As ledes podem durar 27 meses dessa forma ligadas.
E gastam um watt ou watt e meio!
Ainda bem que o Estado Português adquiriu o quadro neoclássico
Num leilão em Paris, por duzentos e dez mil euros.
A Súplica de D. Inês de Castro, de Francisco Vieira,
Foi comprada esta quarta-feira.
Bem haja!
É que deixá-la ir para um qualquer anónimo coleccionador,
Seria para a nossa cultura tremenda dor.
Mas que não vá arrematar o que está à venda por desgosto de amor;
A casa, a moto, o carro, as roupas e a própria vida do inglês desesperado.
É que por cá, tem tudo a preço de saldo.
A Irlanda que nos anos oitenta estava ao nível de Portugal
Teve uma melhoria de vida brutal.
A ryanair, vai acabar com a outrora poderosa tap,
Como destronou a qualidade de vida de um português qualquer.
Não a do Vale e Azevedo que abalou para onde se faça justiça,
E a vida do cidadão trabalhador não se complica...
Mas atenção: tudo o que ouvis, tudo o que ledes
Não são para se registar.
A Lei n.º 22-A/2007, entre muitas,
Veio para nos incomodar.
O dono de facto nem o poder guiar!...
Logo certamente vai ser o poderoso Islão a passar,
Os canacas vão finalmente se vingar,
Para na final com a cristandade se defrontar...

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