sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Tolo de Barcelos



Gostei da frase do Manoel de Oliveira, lida de manhã, no jornal expresso:
O que eu recomendo aos meus amigos é que vivam até aos cem anos.

É um optimista este nosso realizador de cinema,
Que tem um processo contra o organismo português da tutela.
Alega ele, que funciona como no tempo do Estado Novo.
Afinal o bastonário da ordem dos advogados tinha alguma razão.

Tudo por causa duns direitos sobre um filme que já possui mais de 50 anos.

Um outro que se encontra revoltado contra o Estado Português
É o anão, o david, que lutou contra o gigante, o golias brisa..
Recorre de novo, porque o tribunal exige que dê quatrocentos metros
Para o domínio público.

Com que carga de água se pode entender esta decisão:
Então esta empresa não é privada? Não recebe de cada cliente que lá entra?
Supostamente deveria, a não ser que sejam pessoas de paz,
Ou um outro amigo que passe como tal.
"Hoje não me apetece pagar"
Vá, deixa o título; por bombeiro vais passar.

Tudo isto aconteceu, porque no meio o presidente da câmara se meteu,
E que estaria do seu lado, lhe prometeu.

Como prometeu aos comerciantes; a todos do pequeno comércio:
Enquanto fosse vivo, nenhuma média ou grande superfície aqui se instalaria.
E eles apostaram; num pequeno comércio avançaram.
Hoje a revolta espelha-se nos olhos, quando os clientes foram em debandada...
Falou-se do caso singular de Barcelos.
Mas aí o caso é diferente: um seu familiar possui um pequeno comércio.

É escusado ir a Coimbra ou Salamanca
Para entender o porquê que a todos espanta;
Como Palência nunca foi reconhecida como tal
Paciência; ficou a instituição (1218) de Afonso X com essa prerrogativa.

Numa época de grande competição,
Ainda há quem veja na família mais do que razão
Para se lutar pelos nobres ideais:
Protecção do comércio tradicional...

Só mesmo o tolo de Barcelos.
Mas atenção, que ele já não é tão tolo como se previa.
Do outro lado da ponte, apesar de se ter que subir a pique,
Lá está uma média superfície a fazer com o comércio tradicional despique...

É só a primeira, como há sempre uma primeira vez.
Abrindo-se precedentes
Nunca mais se poderá voltar atrás.

É que Salgado Zenha dizia que a inveja era terrível
Neste país universalista, mas que roído por esse sentimento, cristalizou.
O teu vizinho aceita que o vejas melhor do que tu,
Mas não aceita que tu sejas melhor que ele.

Há que saber ler nas linhas, não só nelas, como alguém ontem afirmou
Mas também nas entrelinhas, que daria para milhares de linhas...
O que por cá se passou.

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