
Domingos Tarroso
O autodidacta limiano.
Com treze anos
Abandona a escola
Porque esta só ensinava os rudimentos da leitura,
Escritura, como me diziam os queridos de com licença Coura,
E contar.
Novo, num pasquim limiano vai publicar.
Mas os erros no texto que se vieram a detectar
Levou-o a se consciencializar:
Tinha que estudar!
Aliás, por causa dos livros
Livros, dêem-me livros, dizia,
Mas nem todos participavam nesta dádiva,
Na cadeia cinco dias descansou:
Uma senhora, de apropriação indevida de um dicionário
E mais uns quantos livros o acusou.
De lá
Contemplava o rio;
A porta até estava aberta
Para amigos que o visitavam;
E ele dela passava.
Era escrivão de tribunal
De profissão.
E se não me escapa,
"Aos 21 anos publicou a sua primeira obra filosófica,
O que o levou a considerar-se
O mais jovem filósofo
Que até então o mundo conhecera."
Pode isto ler-se na sua contracapa.
Opondo-se ao positivismo dos três estados
De Augusto Comte, o teológico, metafísico e positivo
E escolhe o seu percurso evolucionista,
Assente nos três fundamentos:
Preátomo, consciência humana e Deus.
Tem de comum com o positivismo,
O método.
Até propôs a criação da globologia,
Uma ciência nova,
Ciência da terra, como ele lhe chama
Composta de seis outras.
Uma espécie de Geogenia,
Que tinha que por principal função
Responder aos problemas:
O que é a Terra? De onde vem?
Para onde vai?
Embora o fim,
A extinção da humanidade actual;
A questão do futuro da terra
Na realidade,
Nesta geogenia pode deixar de entrar.

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