quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Idos de Março



A inveja é uma praga que mina o meu país.
Nos states vê-se um bom carro a passar,
E as pessoas começam a pensar:
Tenho que arranjar mais um job
Para um igual conseguir comprar;

Aqui, mais trabalhar está fora de questão,
Questiona-se onde o malvado arranjou pra tanto.
Roubou, o estado enganou,
Que negócio ilícito tanto o catapultou?

E com base nisso,
O fisco cria uma gigantesca base de dados de contribuintes
De risco, suspeitos e outros neófitos
Que devem ser vigiados nos primeiros anos,
Antes que se envolvam em esquemas fraudulentos.

E até os grandes escritores
Têm inveja dos poetas,
Como alega o nosso Lobo das letras.

Gostaria de ter escrito a Toada de Portalegre,
Que tu tanto adoras,
E que me remeteu para a memória,
Que já faz parte da minha história:
"Em Portalegre dizia
Cidade onde então sofria
Coisas
Que terei pudor
De contar seja a quem for"

É triste, mas fala de esperança -
Dizias tu numa das conversas
A páginas tantas.

Sabes, o que é triste
É saber que inveja esses todos
Que tu também leste na revista,
Que a net nos põe à mão...

E não te inveje a ti,
Que és a maior poetisa
Que trago plantada no meu regaço...
Que em boa hora, em bom dia,
Nos já longos idos de março,
Sonharia jamais que para mim farias pesquisa -
Acho que nunca verdadeiramente te agradeci -,
Te conheci....

És uma mestriza no carrossel de emoções.
E eu fico pasmado, siderado,
Num mutismo que me deixa deveras preocupado;
Que sou muito menor,
Fica essa clara crença.

Cedo, bem cedo
Me apercebi que és matéria intensa.

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