sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Dzud lusitano



Poderia estar a ver o telejornal.
Mas qual?
Em todos os canais, o jogo de ontem,

E nada mais!

É bom para o governo;
É bom para quem sofre graves problemas.
Sublima-se assim as preocupações; todas as frustrações...
É este o nosso ópio.
Concentra dos portugueses todos as atenções.

Prefiro outras notícias.
Vejo um documentário sobre a capital da mongólia.
Um sem abrigo e seu petiz
Erguem-se do interior da cidade.

Não foi essa a vida que ele quis.
Perdeu o emprego, perdeu os amigos;
Restou-lhe o calor das fezes, das urinas...
E outros imundos perigos.

Além do Dzud, ar gélido que sopra de Outubro a Maio
Condições extremas do inverno.
As temperaturas podem ir até aos 60º abaixo de zero.
Não há alimentos para o gado; as pastagens não chegam a aparecer.
De 99 a 2003, vinte e cinco por cento das manadas
Devido a essas condições extremas, foram dizimadas.

8.5 milhões de animais a menos, entre ovinos, caprinos, yaks, cavalos e camelos.
Êxodo brutal para os grandes centros.
Quer a dzud branca, dzud gelo ou dzud escura
Colocam os mongóis de gengis khan em vida extremamente dura.

Falta-lhes a brisa do futebol,
Para, dum momento para o outro, rebentar qual paiol...

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