sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Doutora e o papa



Como não é conhecida?
Só a doutora mesmo e o papa.
Só que, com uma grande diferença:
Ele para ser conhecido,
Tem que de branco aparecer vestido.

Seguiu-se um curto riso.
Ofereceu-se de beber, mas não aceitou.
Mas eis que um repentista aí chegou.
E muito atentamente o escutou.
E quadras alusivas lhe endereçou,
E qual o nosso espanto,
Quando levou aos lábios a malga do cantador.
Que fez questão em ser ela a validar o seu sabor.

É que o vinho verde tem esta magia;
Graças a ele, rapidamente surgem desde há séculos,
Inteligentes criações na lírica galaico portuguesa
Como só o absinto tinha para Kafka sentido.

Mas todo o excesso redunda em perigo.
Até o amigo atinge o máximo da degradação,
Por ter bebido até mais não.

No fundo, como diziam os clássicos,
Na Natureza tudo é bom e tudo é mau;
O segredo está na quantidade.

A derrota na Irlanda foi uma vitória tremendamente esmagadora,
Diz a todos os circunstantes, esta senhora.

Será?

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