sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Joachim inteligente



A culpa foi do relvado que era novo;
Do árbitro que um golo não nos validou
Ou que o adversário não penalizou.

Não me venham com cantigas.
Improvisar deu o que deu.
Um golo tirado exactamente dum anterior,
Numa clonagem puramente naif.

Os alemães apenas com três dias de descanso,
E aquela frescura que a qualquer um espanta.
Aos nossos, os oito dias fizeram-lhes mal ao corpo
Perderam o sentido do esforço.

Um desnorte que não tem nada a ver com falta de sorte.

Joachim Löw foi inteligente.
Passou a nossa equipe a pente.
Mudou a sua táctica de jogo.
Na sua humildade, foi pior que fogo.

Diz sentir-se tranquilo o ainda nosso seleccionador.
Ele que socou há tempos um jogador;
Que na publicidade fez enorme furor.

Essa de exigirem o pagamento dos treinos
Por mais que expliquem
Não há inteligência que o entenda;
Presentear a suiça com um relvado natural
Parece-me mais que sobrenatural.

Imagem de arrogância, um péssimo e mau exemplo;
Também um patriota soube ser.
Guardo a imagem de quando ele veio cá,
A Ponte de Lima.

Nem um presidente, um chefe de estado que viesse cá ter,
Seria tão bem recebido cá em cima.

Desânimo, revolta; é este o meu estado.

O sócrates, tuga, disse que só podia ver 15 minutos de jogo.
Eu vi-o quase todo na internet.
Era mais vezes o que só ouvia,
Já que a imagem bloqueava;
Mas aquela situação muito me bastava.

Não quis perder o trabalho;
Que é coisa que a nós muito falta.
E eu fazia-o para o bronze...

Não há milagres nestas coisas.
A alemanha tem mais de três milhões a praticar;
Nós cá ficamo-nos pela décima parte.

São mais os que fazem levantamento de copo
Do que os que os que vertem suor no rosto.

Pus, com todo o gosto,
De lado o nosso onze...

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